Não se contente com o ordinário
18 de setembro de 2019 5 min de leitura

Não se contente com o ordinário

A diferença não está na tecnologia em si, mas em como a usamos para criar valor, colaboração e propósito.

Em um mundo interconectado, destacar-se exige combinar pessoas, processos e software de forma inteligente — cultivando uma cultura de evolução contínua.

Padrões alinham; co-criação diferencia

Insight: Padrões criam alinhamento, mas a diferenciação vem de como você os implementa — junto.

Em um mundo interconectado, a gente sobrevive em cima de padrões compartilhados: práticas tipo ISO, contratos, APIs e acordos operacionais. Eles reduzem atrito e tornam a integração possível.

O risco é confundir “padrão” com “default”. Quando software “padrão” e playbooks genéricos viram o modelo operacional, a organização passa a se comportar como o “mundo médio” para o qual o template foi desenhado. Você segue compatível — e, aos poucos, fica intercambiável.

Diferenciação nasce quando pessoas, processos e software se combinam para expressar uma implementação única desses padrões: as regras que você escolhe, as exceções que respeita, os fluxos que desenha e o que o sistema torna fácil.

Isso acontece porque copiar o caminho comum é socialmente seguro — e, quando o software passa a impor esse caminho, a cultura acompanha.

Em 1 minuto

  • Padrões te conectam; defaults te tornam intercambiável.
  • Isso acontece porque software genérico transforma pressupostos “médios” em fluxos obrigatórios — e a distância entre negócio e tecnologia transforma co-criação em repasse.
  • Comece escolhendo três momentos em que “isso só acontece aqui” precisa ser verdade (um time, uma filial, uma linha de produto) e co-crie regras e fluxos sobre o padrão compartilhado.

Em mundo conectado, a mesmice se espalha rápido

Quando todo mundo compartilha os mesmos padrões, ferramentas e playbooks, a mesmice se espalha rápido. Isso é bom para integração — e perigoso para diferenciação.

O que mantém uma empresa singular não é slogan. É o acúmulo de escolhas em como decisões são tomadas, como o trabalho flui e o que o software facilita (ou torna impossível).

Padrões são base; defaults mudam comportamento em silêncio

Padrões são andaime. Default é decisão. Quando a organização adota sistemas genéricos sem questionar o que eles assumem, o software passa a moldar comportamentos para caber em um “modelo médio” pensado para outra realidade.

flowchart TD
  Padroes@{ icon: "iconoir:badge-check", form: "rounded", label: "Padrões + acordos compartilhados 
(alinhamento + integração)" } Padroes --> Choice{Como vamos implementá-los?} subgraph Padrao[" "] direction TB A@{ icon: "iconoir:cloud", form: "rounded", label: "Pressupostos
genéricos" } T@{ icon: "iconoir:package", form: "rounded", label: "Templates padrão
(software + processo)" } B@{ icon: "iconoir:repeat", form: "rounded", label: "Comportamentos
padrão" } C@{ icon: "iconoir:copy", form: "rounded", label: "Cultura da
mesmice" } O@{ icon: "iconoir:multiple-pages", form: "rounded", label: "Resultados
intercambiáveis" } A --> T --> B --> C --> O end subgraph Intencional[" "] direction TB Co@{ icon: "iconoir:group", form: "rounded", label: "Co-criação
(negócio + tecnologia)" } U@{ icon: "iconoir:git-compare", form: "rounded", label: "Implementação única
(regras + fluxos)" } I@{ icon: "iconoir:fingerprint", form: "rounded", label: "Identidade
codificada" } D@{ icon: "iconoir:trophy", form: "rounded", label: "Diferenciação
sustentada" } Co ==> U ==> I ==> D end Choice -->|Seguir a maioria| A Choice ==>|Co-criar para diferenciar| Co

Esse efeito se intensifica quando negócio e tecnologia trabalham distantes. Sem co-criação, tecnologia otimiza para manutenção e velocidade, negócio copia o que parece funcionar no mercado e a singularidade vai sendo editada para fora de processos e interfaces. Em culturas com pouco aprendizado contínuo, copiar o caminho comum parece mais seguro do que experimentar um caminho próprio — mesmo quando o ordinário já não gera valor.

Como a mesmice aparece no dia a dia

Essa perda de singularidade costuma aparecer no dia a dia, na forma como processos, times e iniciativas passam a se parecer com “mais do mesmo”.

Processos. Quando os fluxos viram “mais do mesmo”, o resultado segue a mesma curva: eficiência sem identidade. Pela lente acima, é assim que templates genéricos se transformam no “jeito oficial” de trabalhar. Um bom primeiro passo é mapear diferenciais e incorporá-los de forma explícita em fluxos, regras e telas.

Time. O time para de ver valor em personalizar porque falta visão de negócio e propósito conectado às escolhas tecnológicas — então “padrão” parece mais seguro do que “nosso”. Essa distância transforma co-criação em repasse. Comece co-criando um fluxo-chave com áreas do negócio e medindo impacto em resultado e engajamento.

Mercado. As iniciativas começam a parecer com as dos concorrentes: mesmas jornadas, mesmos passos, mesmas “boas práticas” importadas. É mimese competitiva no lugar de posicionamento estratégico. Um jeito simples de iniciar é testar hipóteses próprias com métricas de aprendizado, não só adoção ou benchmarking.

Tornar o “diferente” executável

Movimentos sugeridos — escolha um para testar por 1–2 semanas, depois revise o que você aprendeu.

Escolha onde “isso só acontece aqui” precisa ser verdade

Identifique três experiências em que a singularidade gera valor real para clientes ou times. Isso importa porque singularidade se concentra em poucos momentos; se você não nomeia esses pontos, fluxos “padrão” apagam a diferença por default. Comece em uma reunião: escreva os três momentos e o que precisa ser diferente (velocidade, tom, direitos de decisão, exceções) e transforme isso em fluxos e regras visíveis. Observe se o time consegue apontar esses momentos em artefatos reais (telas, contratos, runbooks), não só em discurso.

Co-crie os fluxos que carregam identidade

Co-crie fluxos e componentes que tornem a identidade visível e repetível no software. Isso funciona porque, quando negócio e tecnologia seguem separados, o sistema codifica pressupostos “médios” e a cultura se adapta a eles. Comece escolhendo uma fatia de uma jornada e fazendo sessões semanais de trabalho com negócio + tecnologia até bater com a realidade. Observe menos contornos e menos “não dá para fazer isso no sistema”.

Meça impacto (não só entrega)

Meça adoção e impacto (NPS, tempo de valor, rotatividade interna ou fricção) nos fluxos que você mudou. Isso importa porque diferenciação só existe quando muda resultado e comportamento. Comece definindo uma métrica de base e revisando semanalmente por 30 dias. Observe se clientes e times começam a dizer “isso só acontece aqui” ao interagir com seus sistemas.


Tecnologia inteligente traduz propósito em um jeito único de operar: ela protege o que torna a organização diferente enquanto simplifica o que pode ser padrão. Quando pessoas, processos e software se alinham, cada tela, fluxo e automação reforçam identidade em vez de apagá-la.

Se nada mudar, a diferenciação se esgota e a alavanca que sobra é preço. A organização vira “mais uma” entre muitas, competindo basicamente por eficiência, enquanto a cultura se acostuma a reproduzir o que todo mundo faz.

Que mudança na cultura tecnológica reforçaria hoje o que torna sua organização diferente?